RADIO A.N.S.R LEPANTO

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A apostasia eclesiástica ou hierárquica ?


A apostasia eclesiástica ou hierárquica, ou ainda "aquela do cimo para baixo", é sobretudo a do antipapado ou a antipetrina. As autoridades da hierarquia católica não acreditam mais no Magistério Infalível ou na infalibilidade papal e nem o próprio papa ou os papas conciliares e modernistas. Alguns historiadores situam o início de tal apostasia no medo que assolou as autoridades católicas de se afirmarem ante o modernismo ou liberalismo que avançava sobre a Igreja e que se tornou cada vez mais insidioso e totalizante,  aquele medo deixando de ser apenas receio de perder o rebanho ou até mesmo o dízimo que já migrava para os protestantes.
Na verdade, o concílio foi uma tentativa de conciliar a fé que nos faz sair do mundo com o ateísmo do mundo tão cada vez mais exigente em liberar e em a nada se submeter.
Outros historiadores reputam a apostasia atual como fruto do materialismo histórico que imagina a história sem ao menos coletar todos os dados materiais da história ou das condicionantes que agiram sobre as personagens históricas. Tal materialismo, em termos teológicos, chama-se criticismo historicista e ele mesmo é a maior densidade do ceticismo ou da apostasia em imaginação ou ficção científica, pois, não apenas afasta toda e qualquer intervenção sobrenatural na história e das condicionantes históricas sobre os protagonistas (até mesmo a prévia e eterna divindade de Jesus), como afasta a fé enquanto poder para alguém agir na história ou alcançar um resultado histórico.
Sabe-se por fatos históricos que, realmente, as autoridades começaram a ceder cada vez mais espaço por conta do receio vindo da resistência liberal que crescia conforme a avidez por consumo generalizado de tudo que é muito mais material do que espiritual.
O maior erro dessas autoridades, talvez, foi deixar de crer que o espiritual é muitíssimo soberano ao material no sentido que aquele aproxima o homem de sua essência enquanto este o afasta.
O resultado geral assistimos agora: o homem se rebaixou tanto que boa parte da humanidade está em pior situação do que os animais, como previu e ensinou Santo Tomás de Aquino e já não há mais a mínima condição para se fazer crer na Graça santificante nem mesmo entre os membros da hierarquia da Igreja.
A Graça, por não ser sensível, mas apenas percebida nos frutos posteriores, leva em si mesma e promove idêntica reflexão posterior sobre o resultado histórico, para constatar a intervenção sobrenatural ou divina. O crente somente depois vê que não foi capaz de sua glória, mas que esta lhe foi dada por iniciativa divina gratuita em resposta ao mérito de sua fé. Ora, se boa parte de tudo isso vem pela reflexão posterior, seja individualmente, seja comunitariamente, considerando-se resultados milagrosos como o fato do cristianismo ter vencido sem armas a barbárie e outros mais imediatos como a Ressurreição, porquanto a imaginação científica passar a considerar tudo também mera imaginação dos protagonistas, então, a história fica sem explicação e passa a não ser nem mais pesquisada, mas apenas imaginada ao sabor do ceticismo, sucumbindo-se como história, para tudo tornar-se fruto da ideologia. 
Por isso mesmo, o concílio que implodiu a Igreja não é nem verificado historicamente desde seus antecedentes, pois, se o fosse, antes de tudo o mais sobre o próprio concílio, ele é que teria se implodido.
Tudo ao redor do liberalismo é infantil ou imaturo, mas com uma capa de cientificismo, pois o liberalismo não passa do mimo do homem mais o mimo do demônio para não se submeterem a uma obra que não foi feita por eles. É como querer comer um bolo mas rejeitando seus ingredientes e, ao mesmo tempo, imaginando vomitar ingrediente por ingrediente. Além de uma revolta contra Deus, a rejeição aplica-se numa revolta contra a natureza para o fim de tentar negar nossa essência. É a loucura de todas as loucuras, pois somos em dependência até onde podemos ser como dependentes. Fora disso, o que poderá ser o homem ou com o que poderá parecer? Quem poderá ser como Deus, em primeiro lugar, para poder criar? Daí, São Miguel resolveu tudo como uma só indagação tão simples e única para remeter de vez ao Verdadeiro Simples e Único que É.
O grande monstro que se tornou sem solução humana, então, realmente, foi o medo persistente dos membros da Igreja de continuarem crendo contra um consumo sem freio. Ao temerem a força da cultura liberal assombrosamente liberada pelo poder do consumo, a fé se dobrou à matéria e desqualificou o espiritual. Não há mais como o homem reverter, ao tal ponto de que na trilogia liberal da "liberdade, igualdade e fraternidade" pode ter fluído todo o discurso da serpente para enganar Eva. Eva não teria sido apenas nossa primeira mãe, mas também a mãe da apostasia que, agora, une todas as forças com a insubmissão diabólica contra a essência do homem muito mais do que contra Deus.
Com crerão na Graça esquecidos dos frutos da Graça e do que a Graça fez na história?
Em primeiro lugar, precisamos repetir São Miguel e, remetendo a Deus, suplicar por uma intervenção divina!

Fonte Leonardo Maciel