RADIO A.N.S.R LEPANTO

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Só para nossa reflexão , Algumas entrelinhas ( O Século do Nada ) E os Comentários de Sergio Velloso.

Mais tarde, a revolução abortada de 1848 e a revolução preparada
e ocasionada em 1917 traziam outras alegações. Falava-se agora
da má distribuição dos bens materiais, da má remuneração do trabalho,
da exploração da classe operária, tudo isto agravado pelas transformações técnicas trazidas pelas máquinas da chamada revolução industrial. E agora, depois de 1917 e de 1944, mais do que nunca podemos perguntar, com Stratchey, se não haveria outros meios, a não ser os "terrible means" comunistas, para a promoção do homem. Mas ainda mais ponderadamente podemos perguntar se a
Revolução comunista resolveu realmente os famosos e tão falados
problemas econômicos. O Muro de Berlim é a vitrina que o comunismo
oferece ao Ocidente.
E o que espanta os engenheiros, os barbeiros, as donas-de-casa
é o fato de não estar completamente desmoralizada a famosa e secular
Revolução. Aos "intelectuais" nada espanta, nessa matéria, porque
se sentem todos obrigados, com algumas honrosas exceções, a tomar
a atitude dita de esquerda, e inculcada com maior luxo publicitário
do que toda a rede de propaganda posta a serviço da toilette feminina.
Já ficaram para trás as motivações de 1879, de 1848, de 1871
e de 1917. Qual é agora o objetivo da Revolução de 1960 a 1970
que tanto entusiasmou parte do clero e do episcopado católico? Invocam
agora a miséria de regiões, de países e de continentes, falam em
salvar o tiers monde com menos graça do que Sieyès quis salvar o
Tiers État.
Alguém acreditará? Acreditarão eles mesmos? Mas nada se move
sem ser em vista de um fim. Propter finem. Uma Revolução deveria
ser a coisa mais nitidamente intencionada ou finalizada do mundo.
Tudo porém indica que vivemos um momento histórico antimeta-
físico, onde os meios usurparam o papel de fim, o nada usurpou o
lugar do ser. A Revolução é um mecanismo automantido que no
momento só parece ter um objetivo: mobilização geral das massas
humanas. Para quê? Para o apuro, o esmero da massificação dessas
massas. No momento o que importa acima de tudo na corrente histórica
revolucionária é condicionar'fortemente coletividades cada vez
mais densas e cada dia menos humanas.
Suponho que algum de meus leitores não esteja contente com
essa explicação. Nem eu. Não vejo a possibilidade de fazer um fenômeno
tornar-se sua própria razão de ser, seu princípio e seu fim;
mas, para sairmos desse embaraço, teríamos de recorrer a princípios
e luzes de outra ordem. Prometemos ao leitor perseverante uma volta
a este assunto, possivelmente uma resposta a este enigma; mas antes
disto devemos deixar momentaneamente o problema suspenso; e devemos
insistir numa interrogação.

 Será a História essencialmente Revolucionaria ?